Meu Perfil
Nome: Handrik
Idade: 21 anos
Nascimento: 05/05/1987 (guardem bem a data porque depois eu vou querer presente)
Onde Mora: São Paulo - SP
Quem sou eu: Descubra se for capaz


Histórico
  01/06/2008 a 30/06/2008
  01/04/2008 a 30/04/2008
  01/02/2008 a 29/02/2008
  01/01/2008 a 31/01/2008
  01/12/2007 a 31/12/2007
  01/11/2007 a 30/11/2007
  01/10/2007 a 31/10/2007
  01/09/2007 a 30/09/2007
  01/08/2007 a 31/08/2007
  01/07/2007 a 31/07/2007
  01/06/2007 a 30/06/2007
  01/05/2007 a 31/05/2007
  01/04/2007 a 30/04/2007
  01/03/2007 a 31/03/2007
  01/02/2007 a 28/02/2007
  01/01/2007 a 31/01/2007
  01/12/2006 a 31/12/2006
  01/11/2006 a 30/11/2006
  01/10/2006 a 31/10/2006
  01/09/2006 a 30/09/2006
  01/08/2006 a 31/08/2006
  01/07/2006 a 31/07/2006
  01/06/2006 a 30/06/2006
  01/05/2006 a 31/05/2006
  01/04/2006 a 30/04/2006
  01/03/2006 a 31/03/2006
  01/02/2006 a 28/02/2006


Outros sites

  • UOL Blog
  • Le Monde


    Layout
    Layout por Heloisa M.

    Etc.












  • Quando ele teve que crescer

    Não sabia ao certo o que escrever. Há muito tempo que desejava dar vazão aos seus pensamentos e suas idéias, mas já não sabia como fazer. Sentava na frente do computador, ficava horas a fio buscando minuciosamente palavras em seu vocabulário que expressassem melhor o seu estado de espírito, porém, era como estivesse cavando um poço em pleno deserto do Saara. Então, sem sucesso e já irritado com aquela esterilidade intelectual, simplesmente fechava o editor de texto e ignorava aquela angústia que lhe apertava o peito.  Escrever era sua vida, escrevia para fugir de si e era nessas fugas, quando mergulhava num oceano de palavras e sentimentos, que se encontrava.

    Mas era como se a fonte estivesse secado.  O reino das palavras, ao qual tinha livre acesso, agora se tornara algo distante e intangível.  Sua cabeça girava e girava como um carrossel, seu corpo jovem e esguio se tornara pesado e lento, era impossível manter as pálpebras abertas. Não tinha mais forças para buscar as palavras. Não tinha mais sensibilidade para viver os sentimentos. Tornou-se cético demais para acreditar. Tornou-se amargo demais para viver.

    Aquilo que lhe era tão quisto lhe fora tirado. Tentou de todas as formas evitar aquela situação pela qual passava. Cerrou-se em silêncio, não por má-fé, mas calou-se para que aquela vitrine de vidro não se quebrasse. Se necessário, guardaria aquilo para si até o fim dos tempos. Evitaria as tempestades e o inverno. Fugiria para o sul quantas vezes fossem necessárias. Resistiria ao chamado de seu destino, sufocaria seus instintos, morreria asfixiado — se isso evitasse uma catástrofe... Mas o destino (que, na verdade, sempre gostou de lhe pregar peças), quando menos esperava, passou por sua vida como um tornado.  Fora duramente nocauteado sem a menor chance de defesa. Tudo saíra do lugar. Em questão de dias tudo desmoronou.  O seu teto de vidro quebrava, seu porto seguro era engolido por uma onda gigante, tudo aquilo que, durante anos, lhe parecera sólido e inatingível agora era ruínas.  Ruínas minadas que, ao menor deslize, iriam explodir.

    Ferido, desmoralizado e ilhado.  Um estrangeiro em sua própria pátria. O olhar que tanto lhe acariciara, agora, lhe dava chicotadas de moral e frieza. O ninho aconchegante agora era seu purgatório particular, onde, a cada dia, a cada hora, a cada minuto, penaria por seus erros e, se possível, sangraria até a morte (onde alcançaria o inferno definitivo). Julgado e condenado, sem direito à defesa ou apelação. Murmúrios.  Boatos... Como lhe irritava ser pré-julgado. Antes morrer queimado na fogueira, como os antigos protestantes, àquelas reuniões em mesa redonda onde era possível ouvir toda a sorte de injúrias e difamação.

    Nada adiantaria dizer que aquilo não era sua culpa. Não dariam ouvido às suas explicações. Não adiantaria de nada se chocar contra aqueles muros construídos com uma opinião medieval, reforçados por uma visão distorcida e arcaica e retocados por uma áurea eclesiástica ultrapassada.  Debater-se significava se machucar ainda mais. Então, deixou que a fonte de injúrias transbordasse...  O tempo iria justificar-lhe, o tempo dispersaria aquela nuvem de fanatismo e mostraria quem é bom ou ruim, justo ou injusto.  Se alguém ali era certo ou errado, pouco importava. No fundo, todos eram certos e errados ao mesmo tempo.

    Ainda anestesiado pelo choque inicial, já tinha algo em mente: teria que resistir. Resistir à tentação da depressão, resistir à tentação do desespero, da insanidade, resistir àquela maré de coisas ruins que se sucediam dia pós dia. Recomeçaria do zero.  Sozinho, se necessário. Lutaria contra tudo e contra todos, mas não se desviaria de seus objetivos. Seria ,então, seu próprio porto seguro. Seu conselheiro, seu irmão e seu próprio amigo. Encontraria forças para lutar. Raciocinaria friamente no que fazer. E, sobretudo, cultivaria a sua grandeza de espírito para saber perdoar quando necessário, para chorar todas as lágrimas que a vida lhe arrancava do rosto e para rir em todas as vitórias que conquistaria a partir daquele momento.

    E assim, foi... Com sua mochila nas costas, sob um céu de outono carregado, que deixou tudo para trás. Sabia que tudo aquilo não era um castigo divino, e sim, uma oportunidade para desenvolver e aprimorar características que necessitaria para ser tudo aquilo que sonhava. Sem olhar para trás, subiu naquele veículo, pronto para viver a vida em sua plenitude.  Pronto para se tornar um grande homem.

     



    - Por Handrik às 22h00
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Discursos versus ações


     

    O planeta gira. As horas, uma após a outra, passam como um conta gotas. Passam-se os dias, passam-se as estações, e o calor do verão dá lugar a suave brisa outonal. Em suma, a Terra segue o seu movimento de translação sem se importar com o que acontece em seu interior. Pouca importa se os homens se matam, se a ordem política mundial está em desequilíbrio, se as elites com sua ganância consomem tudo o que encontram pela frente como cupins insaciáveis... A terra continuará girando e o tempo passando, cumprindo assim a ordem "divina" das coisas.

    Abro o jornal e há histórias de guerra, crimes e corrupção. Nas colunas figuram uma luta de idéias e ideias, filosofia arrogante e pedante e discussões sobre temas que desconheço.
    Tudo isso me entedia, o noticiário me deprime. Fecho o jornal e saio à rua, decidido que um pouco de ar puro fará bem para o meu ânimo.
    Faz uma bela manhã de outono, a luz lânguida da estação banha a cidade de um dourado todo especial. Uma brisa fria percorre a rua fazendo com que os passantes mais desprevenidos se encolham. O reflexo da luz matinal nas pessoas dá uma cor toda especial aos seus olhos e seus cabelos.
    Por um momento acho que estou no paraíso, por um momento deixo de raciocinar e fico admirando este quadro bucólico e romântico que evoca um "arcadismo urbano".
    Mas todo esse bucolismo é quebrado quando vejo as sombras dos grandes prédios (com todo o seu luxo e prepotência arquitetônica) projetada sobre um amontoado de barracos. Uma sombra que com arrogância tenta me dizer que definitivamente "o Sol não nasceu para todos".
    Ando mais um pouco e vejo operários oriundos do subúrbio amontoados como gados dentro de um coletivo, enquanto um carro importado passa em alta velocidade por eles. Mais grave ainda, ao passar por um semáforo vejo crianças maltrapilhas fazendo malabarismo em troca de algumas moedas. Mais à frente uma senhora esfarrapada róe um pão, aparentemente velho, enquanto contempla com olhos desesperançosos o fluxo da cidade. Constato, então, que estou indiferente a tudo isso. Constato que estou habituado a contemplas a miséria e a injustiça e não me escandalizar com isso.

    A imagem daquela senhora me acompanha como um fantasma, penso em voltar lá e fazer algo. Que seja um cobertor, um copo de café quente ou apenas um "bom dia", mas me sinto na obrigação de fazer algo. Só aí é que me dou conta que para mudar o mundo não preciso mudar a forma de pensar de um país, fazer uma revolução armada ou destituir um governo. Vejo que o que o mundo necessita para mudar é de pequenas ações. Vejo que o mundo não precisa de mais um filósofo sábio que tenha conhecimento prévio de tudo e uma teoria para explicar o porquê do porque. Mas, sim, o mundo precisa de homens que estejam dispostos a por a mão na massa e trabalhar efetivamente pelo próximo. O mundo precisa de homens que deixem a retórica um pouco de lado, que deixem o preconceito e o conformismo e façam o bem. E que esse bem não é grande e nem pequeno, e de qualquer forma e de qualquer proporção, é um esforço válido.
    Chego a conclusão que perdi muito tempo criticando governos, analisando teorias filosóficas, atacando elites, debatendo idéias políticas. E me pergunto, o que fiz efetivamente para fazer um mundo melhor?
    Lembro-me, então, dos intelectuais que passam a vida inteira debruçados em teorias para mudar o mundo, lembro-me dos que se dizem "socialistas", mas que nunca se deram ao luxo de visitar uma instituição qualquer.

    Não precisamos mais de discursos, não precisamos mais de teorias revolucionárias, o que precisamos é de ações. Discursos podem mover platéias, mas não mudam o mundo. Ações, por mais isoladas que sejam, mudam a realidade.
    Será que somos ainda capazes de fazer os nosso semelhante sorrir? Será que somos capazes de mudar hábitos e pensamentos em prol de um mundo mais justo? Se quisermos voltar a chamar o planeta Terra de lar, precisamos de respostas à questões como essas e das ações subseqüentes a elas.



    - Por Handrik às 20h04
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Eu com os meus botões



    Passou o Réveillon. 2007 já está lá atrás. A quarta-feira de cinzas marca definitivamente o início do ano nesse país festivo e tropical. O planeta Terra continua girando, pouco importa se a maior potência do mundo irá entrar em recessão ou se começamos a viver um desastre ecológico anunciado, ela continuará seu movimento de rotação e translação independente do que acontece em seu interior.


    Confesso que esses dias, eu me ausentei simplesmente pela falta de inspiração. Aquele velho problema de não conseguir materializar em palavras as idéias, os pensamentos e os sentimentos.


    Os dias de janeiro se arrastaram eternamente como um conta gota. A ansiedade, a vontade de resolver tudo num dia só, a necessidade de ver as coisas funcionando de uma vez só, causaram uma sensação de desconforto. Deslocado no mundo, caminhando contra uma chuva torrencial contra a qual não se pode lutar. Sem controle sobre o destino, esse simplesmente a mercê e aos humores do acaso. A sensação de descontrole é desesperadora.


    Mais desesperador é ter que recuar quando o que se esperava era avançar. Mudar a rota, sair de um caminho que apesar de todas as dificuldades se mostrava promissor. Temo que ao retroceder agora, eu perca esse trem que me levava direto ao meu sonho. Não que eu tenha me acovardado diante dos obstáculos, não que a dificuldade tenha me assustado, mas as coisas chegaram a um ponto insustentável. Recuar não significa entregar as armas, da mesma forma que perder a batalha não significa perder a guerra. Hora de aceitar a derrota com a nobreza de um guerreiro digno e buscar novas vias e novas oportunidades para os meus sonhos. Que a partir de agora eu tenha uma seqüência de escolhas felizes, que os erros do passado não sejam mais cometidos. Que a derrota temporária sirva como uma lição para ensinar a humildade, a paciência, a tolerância e a capacidade de diálogo. Que o caminho daqui para frente seja um pouco mais plano e que os espinhos também não sejam tantos. Porque há um momento em que nos ferimos tanto, que o caminho é tão árduo que simplesmente cansamos. Cansamos de lutar, cansamos de viver, começamos a embrutecer os nossos espíritos, a nossa essência começa a se esvaziar a ponto de não sabermos mais quem somos. A luta prolongada, pode levar a fé de um homem, embrutecendo-o a ponto de por em cheque as suas crenças. Quando o homem perde suas crenças então tudo começa a ficar mais obscuro e mais difícil. Porque as nossas crenças consistem também em nossa essência, quando deixamos de acreditar também perdemos um pouco de nós mesmos.


    Seria tão bom se nossas vidas fossem como o planeta Terra, que não desviasse de sua rota jamais. Porém, sempre há um cometa que se choca contra o nosso eixo e nos tira de nossa rota. Aí temos que buscar caminhos alternativos para fazermos a nossa translação. Talvez esses cometas sejam necessários para nos fazer acordar, para que nos fazer amadurecer. Até porque se a vida acontecesse exatamente do jeito que nos planejamos, não teria a menor graça. O difícil mesmo é aceitar a derrota quando desde o nascimento somos programados para sermos apenas vencedores. Quando as derrotas significam castigo divino, uma punição pelo não-alinhamento com o sistema.


    Mas não vai ser agora e não será nunca que eu jogarei a toalha. Persistência e determinação. Até que ponto elas são qualidade ainda eu não sei. Mas sei que essas características estão mais enraizadas do que eu penso. Hora de levantar da cadeira e fazer as coisas acontecer. Não que eu precise provar para alguém a minha capacidade, mas provar para mim mesmo que eu sou capaz de chegar lá. Nunca é tarde para se concretizar um sonho. As únicas coisas que são necessárias para vê-lo realizado são: disciplina, humildade e esforço. Disciplina e serenidade são as palavras de ordem.



    - Por Handrik às 11h11
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    ...Então... Que os poetas falem por mim!

     

    Tic Tac... Tic Tac... Time is runing



    Bem, esses dias eu tive muita vontade de escrever no blog. Muita necessidade de dar vazão através das palavras aquilo que eu sinto, aquilo que eu vejo ou aquilo que eu penso. Porém sento na frente do computador e as palavras me faltam. Ficam completamente bloqueadas. Vou explodir a qualquer momento. Talvez enlouqueça de uma vez por todas. Talvez dê cabo de tudo isso. Enfim, deixo vocês com Shakespeare. Há cinco séculos que separam o escritor e eu. Mas Shakespeare captou exatamente o que eu gostaria de falar nesse momento da minha vida. Um abraço a todos e leiam na íntegra. É realmente belo e profundo.


    Depois de algum tempo você percebe a diferença,

    a sutil diferença entre dar a mão e acorrentar uma alma.

    E você aprende que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança.

    E começa a aprender que beijos não são contratos e presentes não são promessas.

    Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olhos adiante, com a graça de um adulto e não com a tristeza de uma criança.

    E aprende a construir todas as suas estradas no hoje, porque o terreno do amanhã é incerto demais para os planos, e o futuro tem o costume de cair em meio ao vão.

    Depois de um tempo, você aprende que o sol queima se ficar exposto por muito tempo.

    E aprende que não importa o quanto você se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam...

    E aceita que não importa o quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la por isso.

    Aprende que falar pode aliviar dores emocionais.

    Descobre que se leva anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la, e que você pode fazer coisas em um instante, das quais se arrependerá pelo resto da vida.

    Aprende que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias.

    E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem na vida.

    E que bons amigos são a família que nos permitiram escolher.

    Aprende que não temos que mudar de amigos se compreendemos que os amigos mudam, percebe que seu amigo e você podem fazer qualquer coisa, ou nada, e terem bons momentos juntos.

    Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa, por isso, sempre devemos deixar as pessoas que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que as vejamos.

    Aprende que as circunstâncias e os ambientes têm influência sobre nós, mas nós somos responsáveis por nós mesmos.

    Começa a aprender que não se deve comparar com os outros, mas com o melhor que pode ser.

    Descobre que se leva muito tempo para se tornar a pessoa que quer ser, e que o tempo é curto.

    Aprende que não importa onde já chegou, mas onde está indo, mas se você não sabe para onde está indo, qualquer lugar serve.

    Aprende que, ou você controla seus atos, ou eles o controlarão, e que ser flexível não significa ser fraco ou não ter personalidade, pois não importa quão delicada e frágil seja uma situação, sempre existem dois lados.

    Aprende que heróis são pessoas que fizeram o que era necessário fazer, enfrentando as conseqüências.

    Aprende que paciência requer muita prática.

    Descobre que algumas vezes a pessoa que você espera que o chute quando você cai é uma das poucas que o ajudam a levantar-se.

    Aprende que maturidade tem mais a ver com os tipos de experiência que se teve e o que você aprendeu com elas do que com quantos aniversários você celebrou.

    Aprende que há mais dos seus pais em você do que você supunha.

    Aprende que nunca se deve dizer a uma criança que sonhos são bobagens, poucas coisas são tão humilhantes e seria uma tragédia se ela acreditasse nisso.

    Aprende que quando está com raiva tem o direito de estar com raiva, mas isso não te dá o direito de ser cruel.

    Descobre que só porque alguém não te ama do jeito que você quer que ame, não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode, pois existem pessoas que nos amam, mas simplesmente não sabem como demonstrar ou viver isso.

    Aprende que nem sempre é suficiente ser perdoado por alguém, algumas vezes você tem que aprender a perdoar a si mesmo.

    Aprende que com a mesma severidade com que julga, você será em algum momento condenado.

    Aprende que não importa em quantos pedaços seu coração foi partido, o mundo não pára para que você o conserte.

    Aprende que o tempo não é algo que possa voltar para trás.

    Portanto, plante seu jardim e decore sua alma, ao invés de esperar que alguém lhe traga flores.

    E você aprende que realmente pode suportar... que realmente é forte, e que pode ir muito mais

    longe depois de pensar que não se pode mais.



    - Por Handrik às 23h47
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Finalizando mais um ano

    Mais um ano que se acaba. Mais uma página de nossas vidas que será virada em algumas horas. Doze meses, quatro estações, 52 semanas depois, cá estamos. Um ano que para muitos foi como um desafio, um ano em que muitas lágrimas tombaram dos rostos, um ano que vai deixar muitas almas estigmatizadas, um ano de perdas, mas... Um ano de vitórias também. Porque não estamos condenados apenas a contabilizar perdas e derrotas. Um ano em que novos conhecimentos foram agregados, pessoas novas entraram em nossas vidas e com elas a ternura de uma amizade, o companheirismo, o calor fraternal. Sim, cometemos erros, mas que eles fiquem de lição para o futuro. Alguns amigos se foram para sempre, outros, a vida ironicamente afastou.

    Planos cancelados, amores perdidos, corações em frangalhos, grandes questões sem respostas. As coisas em 2007 giraram, giraram, e no final todas acabaram no mesmo lugar.


    Então o que nos resta? Esperar.


    Esperar que dias melhores venham. Esperar por dias de sol. Esperar por forças, esperar por renovação, esperar numa virada para melhor. Esperar que as lágrimas que caíram esse ano voltem em forma de chuva de alegria. E que essa chuva caia mansamente sobre nossos espíritos levando consigo todas as nossas mágoas, exorcizando todas as energias negativas de nossas vidas.

    Esperar por um ano em que as vitórias sejam maiores que as derrotas. Esperar que em 2008 possamos recuperar tudo aquilo que perdemos em 2007. Esperar que a chama da esperança nunca se apague em nossos corações. Que nossas almas sejam aquecidas pelo amor fraternal. Acreditar que, enfim, poderemos sorrir novamente. Um riso rasgado de felicidade, de satisfação, daqueles que saem do fundo da alma e ilumina tudo.

    Que 2008 seja o ano da grande virada, que deixemos de ser cauda para finalmente sermos cabeça. Que cessem todas as humilhações, que cessem todas as privações. Que sejamos coroados príncipes, senhores de nossos destinos. Que cada coisa seja colocada em seu devido lugar, que a verdade liberte e ilumine tudo aquilo que estiver nas trevas. Que nossas mão alcance tudo aquilo que até agora elas não puderam. Que as luzes nos guiem novamente para nossos caminhos. E que possamos encontrar com a felicidade durante nosso percurso. Porque o ser humano não está condenado a sofrer a eternidade. E que continuemos com a grandeza de espírito em sermos felizes com as pequenas coisas. Porque a felicidade está naquele pôr de sol de outono, naquelas pequenas fugas para o interior, naquelas tardes em que menos se espera e aparece um amigo de longa data que não vemos há muito tempo. A felicidade está na chuva que cai sobre o telhado, naquela velha canção que toca no rádio e nos fala ao coração. A felicidade continua a habitar em sorrisos rasgados, naquelas gargalhadas espontâneas, naqueles olhos que repousam sobre os seus e te faz sentir alguém importante.


    Agradeço aos amigos blogueiros pela paciência por mais um ano, por suas opiniões, pelo carinho de todos que tenho recebido aqui. Desejo a vocês um 2008 pleno de realizações e inspiração. Muita saúde, muita paz, muito amor no coração de todos vocês. Forças para vencer os eventuais obstáculos e nunca percam as esperanças em dias melhores. Porque quando deixamos de acreditar, quando perdemos a fé, as coisas tendem a piorar. Contem sempre com a minha amizade sempre que precisarem, enfim, apesar de estarmos distantes um dos outros somos todos uma grande família. Uma família do bem, que ainda acredita nas pessoas, que ainda acredita nos sentimentos e que tem fé em ver um mundo melhor. A todos vocês um feliz ano novo. Bon année à tous.



    Para abrir 2008 com chave de ouro, dedico essa música a todos vocês. Reflitam na letra.



    - Por Handrik às 03h25
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Darfur: Até quando ficaremos indiferentes?

    Pensávamos que o século XXI seria um século de paz e prosperidade. Jogaríamos uma pá de cal nas Auchwitz e Vietnãs. O mundo seria um lugar mais justo para se viver. Os conflitos tribais na Ásia e na África cessariam, a fome seria reduzida, encontraríamos a cura para o HIV e a diferença entre ricos e pobres, países do norte e do sul, diminuiriam. A globalização aproximaria povos e culturas e viveríamos em completa harmonia.
    Não é isso que estamos vivendo nesse início de século. Como nunca antes, a humanidade esteve envolvida em conflitos. Nunca fomos tão individualistas. O abismo entre ricos e pobres nunca foi tão grande. A globalização que aproximaria culturas, ao contrário, tem gerado conflitos culturais intensos. Nunca fomos tão reacionários, tão conservadores, nunca fomos tão hipócritas.
    Enquanto a civilização ocidental está enchendo as suas sacolas durante as compras natalinas, enquanto muitos estouram os limites de seus cartões de crédito consumindo, genocídios em áreas remotas do globo acontece, a miséria vitima milhares de pessoas, mas não somos capazes de erguemos nossas vozes e nos indignarmos.
    Vivemos presos numa bolha virtual, onde somos o centro do universo. Sentados em nossas poltronas assistimos às misérias do mundo e não nos sensibilizamos mais. A fome na África, a seca no nordeste, os conflitos no Oriente Médio, a xenofobia, virou algo rotineiro. O absurdo caiu na normalidade. Não somos mais solidários aos nossos irmãos. Se quer somos capazes de sermos solidários conosco mesmo.


    E nesse clima de apatia, típico do homem pós-moderno, que o primeiro genocídio do século XXI acontece.
    Darfur, região remota do árido oeste do Sudão, está sendo abatida por uma onda de miséria e derramamento de sangue de proporções catastróficas. O conflito que teve início em 2003, após um grupo rebelde iniciar ataques a alvos governamentais, já deixou aproximadamente 200 mil mortos e 2 milhões de refugiados.
    A região de Darfur é composta majoritariamente por grupos de origem étnica centro-africana, enquanto o restante do Sudão é dominado por grupos árabes islâmicos. A região de Darfur sempre esteve envolta em conflitos, devido a disputas territoriais e por direito de pastagem entre grupos de origem árabe e fazendeiros de outros grupos étnicos.
    Em 2003 dois grupos armados se rebelaram contra o governo central de Cartum, sob a alegação de que o governo sudanês oprimia os grupos étnicos não-árabes e negligenciava a região. Imediatamente o governo respondeu com fortes bombardeios aéreos em apoio aos ataques feitos por terra pela milícia árabe jajawid. Os jajawid são acusados de cometerem estrupos, assassinatos em massa da população não-árabe, além de incendiar vilarejos inteiros. Apesar das negativas do governo sudanês de apoio a esta milícia, os jajawid têm recebido armamentos e suprimentos do governo central.
    Quem conseguiu fugir da violência está alojado em campos de refugiados localizados no Chade ou mesmo em Darfur (estes últimos cercados por forças jajawid). Os campos de refugiados dependem de doações internacionais de medicamentos e alimentos. Segundo a BBC Brasil muitos refugiados estão morrendo de fome ou em decorrência de doenças nos campos de refugiados. A escalada da violência tem dificultado ainda mais os trabalhos humanitários na região.
    Houve uma tentativa de acordo de paz em 2006, tentativa essa que fracassou. De lá para cá a violência étnica aumentou consideravelmente.
    Os sete mil soldados da União Africana que estão em Darfur são insuficientes para apaziguar uma região tão grande (Darfur é maior que a França continental). O governo sudanês tem resistido à pressão internacional para aceitar uma missão de paz liderada pela ONU. As Nações Unidas pretende duplicar o número das tropas que hoje estão em Darfur, porém o governo de Cartum só aceita o envio de mais três mil tropas.


    Nas últimas semanas as pressões dos países ocidentais sobre o governo sudanês aumentaram consideravelmente. Nos Estados Unidos já se estuda uma forma de boicote ao Sudão. Diversos estados, como a Califórnia, adotaram medidas que impedem que empresas negociem com o governo de Cartum. Também há uma pressão de entidades e personalidades para que a União Européia adote sanções e aumente a pressão sobre o Sudão.
    Mas diferentemente do que ocorreu nas vésperas dos ataques ao Iraque, as ruas das principais cidades do mundo, não estão tomadas por populares pressionando os seus governos. Boa parte das pessoas se quer sabe onde fica o Sudão. As poucas imagens que chegam aos nossos monitores ou televisores são ignoradas, para muitos é apenas mais um conflito étnico em um país remoto da África.
    Em países como o Brasil, a imprensa quase não dá espaço ao conflito. Perdemos mais tempo com o nascimento do filho de uma celebridade ou com personalidades que têm o seu rolex roubado.
    O pouco de informação que nos chegam deste conflito é através da imprensa européia, que é mais responsável e mais madura que os veículos de comunicação do Brasil.
    A pergunta que fica é: Quantas Darfurs serão precisas para que a humanidade acorde e levante a sua voz?



    - Por Handrik às 12h38
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Colocando a casa em ordem

    Ao chegar, vejo as correspondências abarrotadas ao pé da porta. Com alguma dificuldade, então, abro a porta e sinto um cheiro de mofo. As coisas continuam todas no lugar, tais como ficaram, mas estão cobertas por uma espessa camada de poeira, o que dá um ar nostálgico e ao mesmo tempo de abandono aqueles belos móveis. Então, abro as janelas e deixo o sol entrar. Pego o esfregão, o aspirador, a vassoura e começo a limpar a casa. Móvel a móvel, parede a parede, janelas...Enfim... Em algumas horas a casa cheira a lavanda, os móveis voltam a brilhar, o lar torna-se aconchegante e iluminado como fora outrora. Então, respondo todas as correspondências convidando os amigos para uma confraternização. A saudades dos amigos aperta o peito desse viajante que ficou tanto tempo compenetrado em seus problemas pessoais, seus trabalhos acadêmicos, seus paraísos e seus infernos, que há tempo havia abandonado o seu blog. Pensara em excluí-lo por duas, três vezes, mas sempre recebia um comentário ou outro em sua caixa de e-mail, que o fazia adiar a decisão, de então, "demolir a casa".

    Os meses passaram, a brisa fresca da primavera se foi, os dias de calor tropical e nuvens espaças chegaram anunciando mais um verão. Um verão que promete muito calor, muita chuva, mas também muitas idéias novas, muitas coisas novas.

    Voltei ao Handrik World, meus caros, com muita coisa para falar, muita coisa para compartilhar com todos vocês. Obrigado a todos que sempre deixaram comentários aqui, não deixando essa idéia morrer. Aos poucos vamos restabelecendo as nossas ligações.



    Vou abrir a minha volta com um assunto um pouco delicado: "violência doméstica". Inspirado por uma matéria que fiz para o jornal semestral da faculdade sobre uma instituição na Zona Oeste de São Paulo que oferece orientação e oficinas a mulheres vítimas de violência doméstica. Ouvi histórias de mulheres que sofreram por anos agressões de todas as espécies. Mulheres de várias idades, várias etnias, que tinha um sofrimento em comum. O que mais me assustou foi como não ligamos muito para um assunto tão sério e de como a falta de informação e o preconceito fazem sofrer ainda mais essas mulheres.


    Bem, aí está, não julgue o estilo da escrita. Aqui no blog não vou adotar nenhum estilo ou regra jornalística. Vou escrever da forma que melhor convir. Mas interajam, corrijam, descordem, concordem... O canal está aberto... E vida longa a democracia e a liberdade de expressão.



    Handrik.



    - Por Handrik às 13h35
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Violência doméstica

    Elas são guerreiras. Elas venceram todas as barreiras que uma sociedade tradicionalmente machista impunha. Elas ganham, a cada dia que passa, mais espaço em diversas atividades econômicas e intelectuais. Mulheres, mães, chefes, operárias, donas de casa que apesar de todas as barreiras vencidas, em pleno o século XXI, ainda convivem com um monstro cruel e covarde: A violência doméstica.

    Mulheres de diferentes classes sociais, religiões e etnias que diariamente são agredidas e humilhadas das mais variadas formas em seus lares por pessoas com quem mantêm algum tipo de laço afetivo.


    Muitas convivem com a violência anos a fio, como é o caso da dona de casa Eliana*, 54 anos, com quem tive oportunidade de conversar no Centro de Cidadania da Mulher, um dos centros voltados a orientação de vítimas de violência doméstica na capital paulista.

    Eliana foi agredida de várias formas por seu marido durante nove anos. Sempre que procurava as autoridades para denuncia-lo, não via o problema solucionado. "Todas às vezes que eu procurava a delegacia, ele cumpria alguma pena alternativa, e dias depois estava de volta em casa e começava tudo de novo", afirmou Eliana que além das agressões físicas, conviveu com a depressão por vários anos, o que a levou tentar o suicídio três vezes. Mãe de três filhos, hoje, Eliana está separada de seu antigo agressor, tratando de sua depressão e freqüentando as oficinas oferecidas pelo Centro de Cidadania da Mulher no bairro de Perus (Zona Oeste).


    Infelizmente, mulheres como Eliana ainda é exceção. A maioria das vítimas tende a silenciar-se em situações de abuso, seja por medo do agressor, falta de informação, para manter a unidade familiar ou mesmo medo de se exporem à sociedade e sofrerem algum tipo de represália.


    O que muitas mulheres não sabem é que a violência doméstica não é apenas caracterizada pela agressão física. Enquadram-se também como violência;  agressões verbais, pressão psicológica, privações (de liberdade, de alimentos...), crime contra o patrimônio, além de abuso sexual, mutilações, entre outros.

    Com a criação da Lei Maria da Penha, que entrou em vigor em setembro deste ano, houve um endurecimento das penalidades contra os agressores, além de uma maior garantia de proteção para as vítimas. Por exemplo, aquele que comete agressão contra mulher no ambiente doméstico ou familiar, pode ser preso em flagrante ou ter sua prisão preventiva decretada. Além do mais, os agressores não serão mais punidos com penas "alternativas" (como aconteceu no caso de Eliana) e o tempo de reclusão que era de um ano, agora, pode chegar até três. A lei ainda prevê o afastamento imediato do agressor do domicílio e a proibição de aproximação da mulher e dos filhos.

    As mulheres vítimas de violência doméstica ainda podem contar com as Delegacias da Mulher, que tem se mostrado competente na aplicação das leis e proteção das vítimas, além dos inúmeros centros de apoio e abrigos espalhados pelo Brasil, que orientam as mulheres e oferecem acompanhamento psicológico para que elas se restabeleçam.


    Cabe a sociedade, que dispensa tanto tempo discutindo temas polêmicos, dar mais atenção a esse problema que atinge uma legião de mulheres invisíveis aos nossos olhos. É necessário que haja uma mudança da visão de que "briga de marido e mulher ninguém mete a colher", a partir do momento em que há agressões físicas, tortura psicológica, sofrimento e tais fatos chegam ao nosso conhecimento, somos coniventes com o agressor ao fingirmos que nada está acontecendo. Mesmo que não vamos até à polícia formalizarmos uma denúncia, temos que encorajar a vítima a fazer-lo.

    Violência doméstica é crime, sim. Um crime cruel, covarde, que traumatiza as pessoas e que causa não apenas mal às vítimas diretas, mas a toda a sociedade.


    *Nome fictício para proteger identidade da fonte



    - Por Handrik às 13h34
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Passagem rápida

     

     

    Continuo sonhando com dias de sol. Anseio pela liberdade, pelo canto dos pássaros livres. Anseio pela luz do sol invadindo os meus olhos castanhos, enchendo de luz a minha alma. Anseio pela chuva morna de primavera, encharcando a minha alma e levando consigo todas as minhas mágoas. Ainda sonho pelo calor das peles, ainda desejo ardentemente aqueles sorrisos rasgados que iluminam o meu dia. Quero dançar ao som daquela velha canção enquanto a chuva cai no telhado. Sonho com a felicidade que vem de dentro, sonho com a felicidade que contagia a todos. Sonho em repousar a minha alma em paz.

     

     

     

    Passando apenas para avisar que a budega do tio Handrik não está às moscas. Em breve voltarei a postar regularmente no blog e visitar a todos vocês meus amigos. Adoro-vos

     

     

    Handrik

    - Por Handrik às 20h05
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Anna Politkovskaya: Um ano sem respostas

                  No dia 7 de outubro de 2006 umas das mais célebres jornalistas política russa era assassinada em frente ao seu apartamento em Moscou: Anna Politkovskaya. Uma das poucas vozes dissonantes da política de Vladimir Putin e engajada contra a guerra na Tchetchênia, Politkovskaya, tornou-se célebre ao receber diversos prêmios internacionais em jornalismo por seu trabalho de investigação.

     

    Antes de seu assassinato em outubro do ano passado, ela trabalhava para o jornal Novaya Gazeta, um dos poucos jornais russos que ainda desafiam o Kremlin, com um jornalismo imparcial e independente, criticando duramente a violação dos direitos humanos, denunciando a situação da Tchetchênia e as infrações que o governo russo comete contra os direitos de liberdade de expressão.

    Politkovskaya foi morta um dia antes de ter publicado um artigo de sua autoria, onde denunciava a prática de tortura na Tchetchênia, acusando diretamente Ramzan Kadyrov, primeiro ministro tchetcheno e homem de confiança de Vladimir Putin.

     

    Um ano após a morte de Politkovskaya, e a polícia russa ainda não apresentou nenhuma pista concreta sobre os assassinos da jornalista ou muito menos uma apuração sobre as condições em que ocorreu o crime, deixando claro que este crime tem características políticas.

    Anna foi vítima de uma violência que cresce a cada dia na Federação Russa contra aqueles que defendem os direitos humanos e discordam da política de Moscou. A última ameaça a esses “inimigos” da política do Kremlin veio através da internet, numa lista onde aparece o nome de diversos defensores dos direitos humanos e de seus familiares.

     

    A Rússia vive um clima de repressão e de supressão dos direitos humanos nunca visto desde a dissolução da falida União Soviética. O que mais choca é ver a hesitação de nações ocidentais, sobretudo países da Europa Ocidental que mantém estreitas relações com Moscou, em cobrarem com maior firmeza do governo russo uma posição mais democrática e a instalação de uma comissão de investigação internacional para apurar denuncias de abusos na Tchetchênia ou para acompanhar a investigação da morte de diversos dissidentes políticos nos últimos anos.

    Talvez essa omissão ocidental se explique pelo fato de que os países da Europa Ocidental, como por exemplo a Alemanha, serem grandes dependentes do gás e do petróleo russo.

    Usando do poder energético do solo russo e da dependência do ocidente em relação a essa energia, Vladimir Putin transformou a Rússia num velho oeste, não admitindo nenhuma opinião ocidental sobre a política interna, sob a ameaça de que aquele que desagradar Moscou sofre o risco de ter seus aquecedores a gás desligados no próximo inverno. Enquanto o Ocidente se acovarda diante do ex-agente da KGB, pessoas inocentes morrem na Rússia, os direitos básicos são infringidos e a imprensa russa vira marionete do Kremlin.

     

    Anna Politkovskaya foi mais uma jornalista silenciada pelos inimigos da democracia e dos direitos humanos. Uma mulher que carregava em si o verdadeiro espírito jornalístico de comprometimento com o bem-estar da sociedade, da imparcialidade e isenção de espírito, e a coragem para enfrentar todo um sistema político em prol de uma causa justa: A defesa da liberdade de expressão e do respeito ao ser humano .

    A 13° jornalista assassinada desde a ascensão de Vladimir Putin ao poder, deixa um grande exemplo para todos aqueles que pretendem seguir a carreira jornalística.

     

     

    “Anna Politkovskaya, enquanto existir o jornal independente Novaya Gazeta, os teus assassinos não poderão dormir tranqüilos.”

     

    E eu vou mais longe: “Enquanto existirem jornalistas como Anna, os inimigos da liberdade e dos direitos humanos em qualquer lugar do mundo não irão dormir em paz”.

     



    - Por Handrik às 07h57
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    EU

    Após uma breve pausa para os trabalhos acadêmicos e para resolver problemas de cunho pessoal, cá estou eu retornando à blogsfera pela “enésima” vez.

     

    O mês de setembro se foi, os jacarandás desabrocharam, os pássaros migratórios voltaram, as temperaturas subiram e o blogueiro chegou a conclusão que estava na hora de começar tudo de novo. Sim, recomeçar, repensar, refazer, refletir (todos os tipos de “RE” que vocês imaginarem) e sobretudo agir.

     

    Hoje escrevo na primeira pessoa, fazendo deste post (comprometendo a seriedade do blogueiro) um diarião de quinta categoria. EU (às vezes me pergunto se o fato dos americanos escreverem o EU em maiúscula tem a ver com o super ego daquele povo), EU declaro que a partir de hoje escreverei em primeira pessoa sempre que o MEU estado de espírito demandar por isso, não travestido os MEUS questionamentos internos como se fossem os grandes questionamentos da humanidade. EU tentarei valorizar aquilo que EU tenho de melhor, não deixando que aquilo que as pessoas pensam de MIM ou suas críticas despeitadas ME rebaixem ao nível que elas querem que EU fique.

    EU não mais admitirei que as pessoas que EU amo saiam da minha vida, assim, sem lenços nem documentos, ou seja, se você é alguém que EU tenho uma imensa consideração e carinho saiba que lutarei por você até as MINHAS forças acabarem.

    EU não deixarei mais que os MEUS problemas interfiram nas MINHAS relações interpessoais, EU não mais descontarei as MINHAS frustrações sobre os marxistas, lulistas, professores da minha universidade, playboyzinhos arrogantes ou pattys fúteis que insistem que campus universitário é balada ou praça de alimentação de shopping.

    EU serei menos duro em relação a minha pessoa e por último e não menos importante, a partir de agora EU só ouço quem me deixa falar e respeite os princípios democráticos.

     

    Pode parecer infantil, bobagem, mais uma daquelas listinhas de promessas que as pessoas fazem no inicio do ano, mas considero essa a minha carta de libertação. A liberdade que eu preciso adquirir de mim mesmo, para que eu possa crescer e amadurecer, para que eu possa fazer vôos mais altos.

     

     

    [...]

     



    - Por Handrik às 11h11
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Vale a pena ler de novo

    A querida amiga Sú, fez o desafio e eu aceitei. A brincadeira se chama “vale a pena ler de novo”. Com a proximidade da primavera, resgatei um post  da primavera do ano passado. Um ano após, e tudo o que foi escrito nesse post serviu para me consolar nesses dias tempestuosos.

     

     

    Início de primavera. Tempo de renovação. Um festival de cor e vida explode por todos os cantos. O sol brilha mais forte. As temperaturas sobem. Até o humor das pessoas melhoram. Tempo de sair da toca, celebrar e renovar a vida. A natureza é perfeita, o que seria de nós mortais sem a primavera?

     

    Assim como a natureza se renova nesta época, deveríamos também fazer uma análise e renovar nossas vidas. Renovar as nossas esperanças, renovar os nossos sonhos, acrescer-nos de fé. Despir-nos de todas as mágoas, de toda a incredulidade e voltar-nos por um momento para nós mesmo. Entregar-nos aos bons sentimentos, entregarmo-nos ao amor e não esperar nada em troca (apesar disto parecer bem difícil num primeiro momento). Acreditar mais em Deus. Desligar-nos por um momento do plano material.

     

    Como é difícil percorrer o caminho que nos leva até as nossas realizações. São tantos espinhos, tantos obstáculos, tanta solidão. É como se caminhássemos sozinhos em direção ao nada, como se todos os nossos sonhos fossem só ilusões. É difícil lutar por algo que nós não vemos, apenas acreditamos. Por hora, cansamos de tanto apanhar, cansamos de tanta desilusão, sentamos à beira da estrada e queremos desistir de tudo. Desistir de nossos sonhos, desistir de nós mesmos, desistir de Deus.

    Como doem os espinhos, como sofrem os sonhadores... Como é difícil voltar a ter fé... Como é difícil acreditar na vida... É difícil acreditar na teoria em que os bons vencem e os maus são castigados. Na prática é difícil ver isto.

     

    Em um mundo cada vez mais materialista, mais superficial (seria culpa do neoliberalismo?) onde as pessoas já não são mais sinceras nem consigo mesmas, o prazer, o status, a felicidade fast-food estão na moda. O que é amor nos dias de hoje? Qual o verdadeiro significado das palavras “Eu te amo” em dias que logo que o desejo é saciado, tudo torna-se descartável?

    Palavras são apenas palavras, lágrimas são apenas lagrimas, sorrisos são apenas sorrisos. Em um segundo tudo se perde, tudo se esquece e as promessas eternas, todas elas caem por terra.

    Só prazer, só a satisfação carnal instantânea é o que importa nos dias de hoje. O que aconteceu com o tocar de pele? Com a troca de olhares? Com os beijos carinhosos? Onde está o amor verdadeiro? Por onde andam os eternos amantes?

    Se alguém os encontrarem, favor entrar em contato o mais imediatamente possível.

     

    Não vou falar sobre política, não vou falar sobre mim mesmo. Hoje quero fugir do mundo, quero falar sobre sentimentos, quero falar sobre sonhos. Quero sentir os sentimentos na pele, quero viver os meus sonhos.

    Mesmo que depois eu acorde deste sonho e me dê conta que tudo não passou de um doce sonho e que um dia duro me espera. Um dia em que eu tenha que amargar as minhas derrotas, chorar por dentro, sangrar a alma e ao final do dia disfarçar as minhas lágrimas sob uma ducha quente, para que ninguém veja meu momento de fraqueza.

     

    Mas eu acredito na primavera (já são dezenove), tudo pode se renovar, tudo pode acontecer. E, aquela árvore que era apenas galhos, numa bela manhã acorda toda florida como um Jacarandá. Onde não havia cor, há uma explosão delas. A vida brota, onde antes era apenas um vale cinza e silencioso. Os sonhos tornam-se reais.

    Renovar as esperanças, acreditar novamente nas pessoas, acreditar novamente em si mesmo. Não fugir a luta... Cicatrizar as feridas mortais abertas pelo combate da vida...

     

    Que esta primavera seja de renovação para todos nós!

    ...Mesmo que seja só para renovar as nossas esperanças...

     

    O meu blog ainda tinha um caráter meio pessoal, usava muito a primeira pessoa. Bem, vou indicar três amigas para participar da brincadeira. Pode-se escolher qualquer texto já  publicado no seu blog, porém, não pode fazer alterações nos textos, só correções ortográficas ou trocar a foto. As indicadas são:

     

    Cantinho da Ge

    Fórum Democrático

    Belatrix



    - Por Handrik às 12h31
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Reflexão

    Não apenas vontade, mas realmente trabalhar para mudar as coisas. Não apenas sonhar, mas sim, tomar atitudes para que as coisas realmente se tornem palpáveis. Contrariar os próprios princípios, as próprias vontades, vencer os próprios limites do corpo para se alcançar aquilo desejado.

    Este tem sido o dilema dos últimos dias. O que efetivamente tem sido feito para se chegar ao destino esperado? Conclusão: Não muita coisa.

    Os discursos são relativamente belos, animadores... mas e as ações? As ações têm seguido o mesmo caminho do discurso?

    Não, efetivamente. A autodisciplina e a racionalidade (não aquela exagerada que nos prende em gaiolas e não nos deixa viver) dão lugar às ações por impulso. Agir por impulso para fugir a uma realidade que às vezes se  mostra árida. Agir por impulso para adiar decisões a serem tomadas. Definitivamente esse não é o melhor caminho.

     

    Tenho feito valer à pena o meu dia? Tenho eu aproveitado bem todas as oportunidades que tem aparecido? Estou eu realmente me esforçando o suficiente para ser um bom profissional?

    Gosto de grandes questionamentos. Sempre soube que a chave para o sucesso de cada um de nós está dentro de nós mesmo. Simples assim.

     

    Não é nada fácil dizer não a si mesmo, a pior das batalhas são aquelas que travamos contra nós mesmos. Porém há horas que temos que acordar do torpor, e darmos um sentido às coisas. Tomar as rédeas do destino e sermos senhores de nós mesmos. Traçar uma meta e persegui-la até a exaustão.

    O problema é que nós humanos não gostamos de nos sacrificar, de contrariar os nossos instintos. Sempre arrumamos um atalho para se chegar da maneira mais confortável e mais fácil a nossos objetivos. Mas esses atalhos consistem em mentiras que contamos para nós mesmos, são como construção sobre a areia, a primeira tempestade forte tudo vem a desabar.

     

    Dar a cara à tapa, dizer não quando necessário, explorar os limites ao máximo, levar as coisas mais a sério. É assim que se obtém sucesso na vida.

     

     

    P.S:  Não tentem entender esse post, ele surgiu de uma reflexão que eu fiz durante a manhã em frente ao espelho. Bem, pretendo voltar a falar sobre política e mundo em breve. Não que a minha opinião vá fazer alguma diferença, mas é importante fazer o exercício da reflexão sobre temas não tão subjetivos.



    - Por Handrik às 14h11
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    ...

    Agosto com seus dias ensolarados, seus fins de tarde quase que bucólicos e suas noites frias e estreladas, vai passando a uma velocidade quase que imperceptível. Algumas flores começam a desabrochar, anunciando que em breve estaremos na primavera. Anunciando que em breve o ciclo natural da vida se renovará, que as nuvens carregadas se afastarão e dias calmos virão.

    Triste é ver que sua vida está alheia à toda esta renovação, que assim como o inverno foi, a primavera será. O verão será apenas uma repetição dos “hits” do verão passado e logo chegará o outono, com todo o seu pesar e seu clima nostálgico.

    Os anos então passarão, e os sonhos serão apenas sonhos. Um coração que ainda não conheceu o verdadeiro sentido da palavra amor, um ser que não foi capaz de se fazer amado nem pelos seus. Do que adianta conhecer os mistérios da ciência? Do que adianta compreender a profundidade da vida se tudo apenas ficou na teoria, se não se foi capaz viver as coisas na sua intensidade? Palavras são apenas palavras. Ações sim, essas são concretas. Ações sim, essas agregam valores à vida.

     

    Não existem fórmulas matemáticas para a felicidade como insistem os livros de auto-ajuda ou as terapeutas da elite - anêmica espiritualmente por suas orgias capitalistas. A felicidade está nas pequenas coisas da vida, fato qual pessoas de bom senso concordam plenamente. Mas e quando não se é possível ser feliz nem com as pequenas coisas da vida? Quando se é negligenciado ser feliz não por mais do que algumas semanas? Essa sensação de que se deixou a felicidade escapar por entre os dedos, cria um vazio tão profundo quanto não ter conhecido nenhum tipo de felicidade.

    Será que estamos todos condenados a viver a felicidade sintética produzida pela sociedade industrial? Vivermos todos de faz de conta, enganando um ao outro, e pior, enganando a si próprio. Vivermos todos mascarados, todos com uma vida dupla, para posarmos de bem integrados face à uma sociedade hipócrita, onde todos escondem seus erros, mas não o admite, e pior ainda, exige uma conduta integrada do outro?

     

    O mundo gira e gira. As coisas mudam, as pessoas mudam. O tempo passa... Os discursos se alternam, a visão crítica é alargada, a cada dia se trabalha para se tornar um ser melhor, se despir de todo o preconceito, de toda a mágoa, de curar todos os ferimentos que a vida fez o favor de cunhar e estigmatizar sobre a alma. E a sensação é que apesar de todo esse ritual, apenas se andou em círculos, que no final das contas tudo apenas involuiu e nada evoluiu. O mundo passa então a ser estático, então o que resta é sentar no banco e ver a vida passar. Sentar num banco na praça e então ver o sol tingir de laranja o céu azul de agosto, o operário passando apressado, as crianças brincando sem se preocupar com o mundo, as donas de casa comentarem a novela, os pássaros voando e a vida passando... Apenas passando e todos os seus sonhos, suas expectativas, suas crenças caindo uma a uma. A vida passando e você ficando preso nas paredes do tempo.



    - Por Handrik às 20h07
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________




    Cinco Estrelas

    E nessa segunda quinzena do invernal mês de agosto, começo o post de hoje agradecendo a todos pela honra dos comentários e pela visita. Realmente vocês me inspiram a continuar escrevendo.

     

    Bem fui indicado duas vezes ao prêmio blog cinco estrelas, pelas amigas Ana (bar da  ruiva) e  pela Belatrix . Meu muito obrigado às duas. Quando eu começei a escrever no Handrik World, não tinha a menor pretensão que um dia as pessoas fossem ler o que eu escrevo ou indicar o meu blog à alguma coisa. Só peço desculpas por não ter colado o selo antes aqui. Os últimos dias tem sido especialmente corridos para mim.

     

     

    E, mais uma vez, devo indicar cinco blogs. Os cinco indicados, devem conhecer o regulamento que encontra-se no blog Nada Pra Mim, http://npramim.blogspot.com  que foi quem criou o prêmio.

     

    Forum Democrático

    Tiago Filosofando

    Cantinho da Gê

    Um cara Estranho

    Digo Tudo

     

    A todos que estão concorrendo boa sorte. E mais uma vez o meu muito obrigado!

    - Por Handrik às 20h25
    | envie esta mensagem


    ____________________________________________